terça-feira, 31 de março de 2009

Sempre

Estará o mundo está perdido?
Se está, onde foi que ficou,
onde está escondido?
O que é afinal o lugar onde estamos?
Onde avançamos?
Onde fazemos planos?!
Os que conspiram na subida idade,
ditam que a Terra está perdida,
e morrem de saudade
de outro tempo…
de outra gente…
embora mais sofrida.
O mundo é contraditório,
tropeça no caos,
tira aos bons,
e dá aos maus,
nunca é satisfatório.
Quem tem, não quer,
Quem quer, não tem,
Queixa-se a mulher,
o homem também…
Ninguém sabe da certeza,
Mas todos acham de sua ventura;
Mais que a habilidade e a destreza,
A maioria não vê,
Que ser humilde é ter fortuna.
Não creio que o mundo esteja perdido;
Haverá sempre uma réstia de cor,
Um vento que nos acorda,
O passar de uma dor,
que nos embala e amorna.
Haverá sempre um Ser mais clemente,
que aconchega e dá a mão,
que ajuda a seguir em frente...
a rejeitar a lassidão.
Viver sim, não porque tem de ser,
mas apenas por valer.

sábado, 28 de março de 2009

Ser e não querer

Ser poeta é não querer ser!
É escrever e mais escrever,
o que só eu vou saber;
o que ninguém pode entender!
Ser poeta é um estado de animo,
de um espírito magnânimo,
de palavras que não reprimo,
nem nunca subestimo!
Ser poeta é ser alegre,
sem que a alma se desintegre,
É estar triste, com dor de febre,
É correr como uma lebre!
Ser poeta é ter tudo,
Sem obedecer a longo estudo,
recados com conteúdo,
como pano de veludo.

sábado, 21 de março de 2009

Clandestino

Sou clandestino!
Vagueio sem tino!
Sou indigente,
um ser transparente,
que lê pedras de vielas,
onde cruzo gente,
que não recita minhas mazelas!
Sou clandestino,
não tenho destino,
albergue ou morada.
Vejo miséria, fome e estrada.
Sou clandestino…
sou um menino,
que procura calor,
onde não há amor,
nem favor!
Sou clandestino,
não tenho sentido,
só temperança…
não conheço a esperança,
só vazio…
e estio.
Sou clandestino,
isento de vontade
de não colher sorte,
de semear liberdade,
que um dia será dádiva de morte.

domingo, 8 de março de 2009

Gotas com vida

Era uma vez uma gota…muitas,
muitas gotas de chuva,
que do céu caiam.
Vinham sem tino,
num cair repentino,
tremulando entre nuvens,
e assim se distraíam.
Enquanto tombavam e saltitavam no ar,
umas cantavam e sorriam,
outras não paravam de indagar:
Onde vamos cair?
Onde vamos pairar?
A gota mais gorda,
caiu numa mão,
mas sem dar conta,
logo foi parar ao chão.
A gota pequenina, aterrou num chapéu
e de tão delicada, logo desapareceu.
A gota com mais juízo,
chegou depressa ao destino
e mais tempo viveu...
vinha em forma de granizo.
A gota mais traquina,
pulou para o telhado,
e quando viu uma menina,
quis cair mesmo ao seu lado.
A gota mais zangada,
debateu-se entre troncos e ramos,
como não queria ser pisada
foi jogada no rio,
para acabar o mau feitio.
A gota curiosa,
cansada de voar,
escolheu a mariposa
para poder investigar.
A gota mandona,
já vinha a refilar
e quando caiu do ar,
não sabia que a fogueira,
a fazia evaporar.
Ainda caiu a gota ancião,
vinha cansada e farta de aprumar;
por isso se perdeu,
no meio de um trovão,
que a fez deixar de respirar.
A história destas gotas
é real e transparente,
são apenas notas soltas,
como a vida de tanta gente.

sábado, 7 de março de 2009

Algum tempo

Falta-me o tempo…
Falta-me espaço…
Sobra-me passado…
Resta-me futuro.
Não domino o momento,
Não traço o plano,
Peca em mim o sentimento,
Que é estranho e tirano.
E tu não respondes!
Não me dizes os porquês
e as razões
Apenas te escondes!