quarta-feira, 16 de janeiro de 2013


Desabrigado

Um ano sem mar,
de sobra de saudade,

de mudança,
do jeito de quase sufocar

e de sentir
apenas pela metade...

 
Um ano de apreensão,
de pensamento detido,
de mais medo… do sim que do não,

de sentido temor da indiferença,

em vez da palavra dita com convicção.

 
O ano de todas as mortes
sem que mortalhas algumas te tenham trajado.

Os dias dos limites mais torpes,
onde as forças se acanharam

e a razão prevaleceu aquém do arriscado.
 
 E tu vida?! ainda solta por aí…

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Passado

E de repente o passado olha para nós,
e diz que sempre nos viu, nos pairou,
e não nos perdeu!
Quando nos fazíamos sós,
o passado voltou…
e lembrou outro eu,
que já não existe,
nem quer regressar,
nem sequer persiste.
E tu, perdido nas vagas da memória,
tens que apanhar rumo,
mudar a tua história,
renovar a memória,
e viver sem cortinas de fumo.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

eu e eu

Já me cansei de ti…
de te aturar,
de te discordar…
Já me cansei de ti.
Tu e eu fazemos um par!
Respiramos o mesmo ar
e afinal… somos impar.
Todos os dias te acordo,
alimento,
aguento,
sustento…
Ás vezes, orgulhosa
outras,
pesarosa.
Em dias triste,
em outros como fúria
que resiste.
Já me cansei de ti!
Das horas de birra,
da distracção temporal,
das confissões inconfidentes,
da modéstia arreigada,
da vontade do bem,
do desprezo do mal…
Estás a rir?
Sim sei que gracejas,
porque este cansaço,
é apenas mais um pedaço,
da vida que me desejas.
Continua por cumprir o momento,
a resposta assertiva,
o salto e não a tentativa
para o ignorado chamamento.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Tristeza efémera

São cinzentos os meus dias,
peca em mim, a tua ausência.
Partiste sem dizer que ias,
e eu fiquei na dependência!

Do verde e do teu brilho,
de tudo tenho saudade,
sem saber qual caminho,
existo sem vontade!

A alma não parece minha!
O corpo teima em resistir,
mas quando vejo uma andorinha
consigo de novo a sorrir.

Volta sempre esta quimera,
como anjo renovado,
será sempre Primavera,
e nunca, um filme acabado.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Valsa ou Fado?!

Já cá faltava um dia destes.
O dia em que tudo mudou.
A lua apareceu-me de manhã,
Como se de noite fosse…
O sol aqueceu-me de madrugada
Como se de dia fosse…
Fui tomada…
Fui colhida na curva do sentimento,
que estava onde eu menos cuidava.
Cruzei os ponteiros trocados de um relógio,
que dava horas sem destino…
E eu… queria que de noite sempre fosse.
No breu,
confundidos, tu e eu,
trocámos as cores,
falámos de amores,
misturámos sabores…
Mas o dia nascia
E tu? E eu?
Eu mais desordenada
E trocada.
Tu sem semblante…
e distante.
Ficar sem te ter
não é ser,
mas padecer…
Pensei no poeta
e recitei sem dizer
amor é fogo que arde sem ser ver”!!??
Será amor, ilusão ou visão,
este contentamento que me deixa descontente?!?
Que me deixa aquecer,
mas também,
em turvação!?
Será este o meu primado?
O meu caminho?
O meu fado?
Ai o fado:
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.”

Fumo, fogo ou rumo,
Fado, verso ou pecado…
Tenho apenas que saber
Que o desejo… e quero viver.

(Dedicado a uma Amiga chamada Maria.)

terça-feira, 31 de março de 2009

Sempre

Estará o mundo está perdido?
Se está, onde foi que ficou,
onde está escondido?
O que é afinal o lugar onde estamos?
Onde avançamos?
Onde fazemos planos?!
Os que conspiram na subida idade,
ditam que a Terra está perdida,
e morrem de saudade
de outro tempo…
de outra gente…
embora mais sofrida.
O mundo é contraditório,
tropeça no caos,
tira aos bons,
e dá aos maus,
nunca é satisfatório.
Quem tem, não quer,
Quem quer, não tem,
Queixa-se a mulher,
o homem também…
Ninguém sabe da certeza,
Mas todos acham de sua ventura;
Mais que a habilidade e a destreza,
A maioria não vê,
Que ser humilde é ter fortuna.
Não creio que o mundo esteja perdido;
Haverá sempre uma réstia de cor,
Um vento que nos acorda,
O passar de uma dor,
que nos embala e amorna.
Haverá sempre um Ser mais clemente,
que aconchega e dá a mão,
que ajuda a seguir em frente...
a rejeitar a lassidão.
Viver sim, não porque tem de ser,
mas apenas por valer.

sábado, 28 de março de 2009

Ser e não querer

Ser poeta é não querer ser!
É escrever e mais escrever,
o que só eu vou saber;
o que ninguém pode entender!
Ser poeta é um estado de animo,
de um espírito magnânimo,
de palavras que não reprimo,
nem nunca subestimo!
Ser poeta é ser alegre,
sem que a alma se desintegre,
É estar triste, com dor de febre,
É correr como uma lebre!
Ser poeta é ter tudo,
Sem obedecer a longo estudo,
recados com conteúdo,
como pano de veludo.