segunda-feira, 8 de junho de 2009

eu e eu

Já me cansei de ti…
de te aturar,
de te discordar…
Já me cansei de ti.
Tu e eu fazemos um par!
Respiramos o mesmo ar
e afinal… somos impar.
Todos os dias te acordo,
alimento,
aguento,
sustento…
Ás vezes, orgulhosa
outras,
pesarosa.
Em dias triste,
em outros como fúria
que resiste.
Já me cansei de ti!
Das horas de birra,
da distracção temporal,
das confissões inconfidentes,
da modéstia arreigada,
da vontade do bem,
do desprezo do mal…
Estás a rir?
Sim sei que gracejas,
porque este cansaço,
é apenas mais um pedaço,
da vida que me desejas.
Continua por cumprir o momento,
a resposta assertiva,
o salto e não a tentativa
para o ignorado chamamento.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Tristeza efémera

São cinzentos os meus dias,
peca em mim, a tua ausência.
Partiste sem dizer que ias,
e eu fiquei na dependência!

Do verde e do teu brilho,
de tudo tenho saudade,
sem saber qual caminho,
existo sem vontade!

A alma não parece minha!
O corpo teima em resistir,
mas quando vejo uma andorinha
consigo de novo a sorrir.

Volta sempre esta quimera,
como anjo renovado,
será sempre Primavera,
e nunca, um filme acabado.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Valsa ou Fado?!

Já cá faltava um dia destes.
O dia em que tudo mudou.
A lua apareceu-me de manhã,
Como se de noite fosse…
O sol aqueceu-me de madrugada
Como se de dia fosse…
Fui tomada…
Fui colhida na curva do sentimento,
que estava onde eu menos cuidava.
Cruzei os ponteiros trocados de um relógio,
que dava horas sem destino…
E eu… queria que de noite sempre fosse.
No breu,
confundidos, tu e eu,
trocámos as cores,
falámos de amores,
misturámos sabores…
Mas o dia nascia
E tu? E eu?
Eu mais desordenada
E trocada.
Tu sem semblante…
e distante.
Ficar sem te ter
não é ser,
mas padecer…
Pensei no poeta
e recitei sem dizer
amor é fogo que arde sem ser ver”!!??
Será amor, ilusão ou visão,
este contentamento que me deixa descontente?!?
Que me deixa aquecer,
mas também,
em turvação!?
Será este o meu primado?
O meu caminho?
O meu fado?
Ai o fado:
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.”

Fumo, fogo ou rumo,
Fado, verso ou pecado…
Tenho apenas que saber
Que o desejo… e quero viver.

(Dedicado a uma Amiga chamada Maria.)

terça-feira, 31 de março de 2009

Sempre

Estará o mundo está perdido?
Se está, onde foi que ficou,
onde está escondido?
O que é afinal o lugar onde estamos?
Onde avançamos?
Onde fazemos planos?!
Os que conspiram na subida idade,
ditam que a Terra está perdida,
e morrem de saudade
de outro tempo…
de outra gente…
embora mais sofrida.
O mundo é contraditório,
tropeça no caos,
tira aos bons,
e dá aos maus,
nunca é satisfatório.
Quem tem, não quer,
Quem quer, não tem,
Queixa-se a mulher,
o homem também…
Ninguém sabe da certeza,
Mas todos acham de sua ventura;
Mais que a habilidade e a destreza,
A maioria não vê,
Que ser humilde é ter fortuna.
Não creio que o mundo esteja perdido;
Haverá sempre uma réstia de cor,
Um vento que nos acorda,
O passar de uma dor,
que nos embala e amorna.
Haverá sempre um Ser mais clemente,
que aconchega e dá a mão,
que ajuda a seguir em frente...
a rejeitar a lassidão.
Viver sim, não porque tem de ser,
mas apenas por valer.

sábado, 28 de março de 2009

Ser e não querer

Ser poeta é não querer ser!
É escrever e mais escrever,
o que só eu vou saber;
o que ninguém pode entender!
Ser poeta é um estado de animo,
de um espírito magnânimo,
de palavras que não reprimo,
nem nunca subestimo!
Ser poeta é ser alegre,
sem que a alma se desintegre,
É estar triste, com dor de febre,
É correr como uma lebre!
Ser poeta é ter tudo,
Sem obedecer a longo estudo,
recados com conteúdo,
como pano de veludo.

sábado, 21 de março de 2009

Clandestino

Sou clandestino!
Vagueio sem tino!
Sou indigente,
um ser transparente,
que lê pedras de vielas,
onde cruzo gente,
que não recita minhas mazelas!
Sou clandestino,
não tenho destino,
albergue ou morada.
Vejo miséria, fome e estrada.
Sou clandestino…
sou um menino,
que procura calor,
onde não há amor,
nem favor!
Sou clandestino,
não tenho sentido,
só temperança…
não conheço a esperança,
só vazio…
e estio.
Sou clandestino,
isento de vontade
de não colher sorte,
de semear liberdade,
que um dia será dádiva de morte.

domingo, 8 de março de 2009

Gotas com vida

Era uma vez uma gota…muitas,
muitas gotas de chuva,
que do céu caiam.
Vinham sem tino,
num cair repentino,
tremulando entre nuvens,
e assim se distraíam.
Enquanto tombavam e saltitavam no ar,
umas cantavam e sorriam,
outras não paravam de indagar:
Onde vamos cair?
Onde vamos pairar?
A gota mais gorda,
caiu numa mão,
mas sem dar conta,
logo foi parar ao chão.
A gota pequenina, aterrou num chapéu
e de tão delicada, logo desapareceu.
A gota com mais juízo,
chegou depressa ao destino
e mais tempo viveu...
vinha em forma de granizo.
A gota mais traquina,
pulou para o telhado,
e quando viu uma menina,
quis cair mesmo ao seu lado.
A gota mais zangada,
debateu-se entre troncos e ramos,
como não queria ser pisada
foi jogada no rio,
para acabar o mau feitio.
A gota curiosa,
cansada de voar,
escolheu a mariposa
para poder investigar.
A gota mandona,
já vinha a refilar
e quando caiu do ar,
não sabia que a fogueira,
a fazia evaporar.
Ainda caiu a gota ancião,
vinha cansada e farta de aprumar;
por isso se perdeu,
no meio de um trovão,
que a fez deixar de respirar.
A história destas gotas
é real e transparente,
são apenas notas soltas,
como a vida de tanta gente.

sábado, 7 de março de 2009

Algum tempo

Falta-me o tempo…
Falta-me espaço…
Sobra-me passado…
Resta-me futuro.
Não domino o momento,
Não traço o plano,
Peca em mim o sentimento,
Que é estranho e tirano.
E tu não respondes!
Não me dizes os porquês
e as razões
Apenas te escondes!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Sem tempo

Se eu tivesse tempo iria...
Iria ao teu encontro no desconhecido...
Pra te encontrar, descobrir e notar...
Pra te viver.
Se eu tivesse tempo iria!